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Tão exaltada pela mídia, é de origem pagã e contraria os preceitos bíblicos?
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade. Esse texto, registrado em João 1.14, remete-nos ao nascimento do Senhor Jesus, fato que os cristãos do Ocidente comemoram no dia 25 de dezembro. O termo natal vem do latim natale, relativo ao nascimento. Cristãos e não-cristãos comemoram a data – cada qual a seu modo – com uma grande festa em família.
No meio de toda essa simbologia, que une Papai Noel à entrega de presentes, e o presépio à ceia natalina, há, é claro, forte apelo à árvore de natal. Ela, juntamente com os presentes, faz do motivo da festa – Jesus – uma desculpa para que milhares de lojas, no mundo inteiro, faturem muitos milhões de dólares com a compra de lembrancinhas e presentes de todos os tipos e preços.
Poucos sabem, entretanto, que, por detrás de toda a ingenuidade e beleza da árvore de Natal, esconde-se uma forma de idolatria, uma celebração ao paganismo. Para alguns, como João Lancelotti Neto, 35 anos, membro da Comunidade Aliança Cristã, no Rio de Janeiro, a árvore de Natal é uma estratégia do diabo, que se infiltrou na cultura para desviar nossa atenção de Jesus, o símbolo natalino. Estudioso do assunto, ele afirma que a paganização do Natal é, na verdade, fruto de uma tradição reforçada e passada de geração em geração pela Igreja Católica Romana. “Armei muitas árvores de natal e montei muitos presépios também, mas depois da conversão deixei esse hábito”, afirma João Lancelotti.
Endossando as palavras do membro de sua igreja, o Pr. Marcelo Resende, 35 anos, vai mais além e fala em exploração do Natal. “Não temos de armar árvore alguma. A Bíblia não manda que façamos isso. Trata-se de mais uma estratégia comercial”, analisa.
A questão comercial também é criticada pelo pastor auxiliar da Assembléia de Deus de Cordovil, na zona norte do Rio, Anésio Sarmento, 64 anos. “Por detrás de tudo, está o comércio. O perigo da árvore de Natal é que ela pode levar-nos a transferir a glória de Deus para o símbolo. O Senhor nos dá o livre-arbítrio, mas não nos podemos esquecer de Sua glória. Deus fica, às vezes, em segundo plano”, assegura Anésio, que, no entanto, não vê problemas quando a árvore é montada como um enfeite. “É igual a um adorno, a um vaso de plantas”, exemplifica.
Sacrifício de crianças
Para cristãos como o presbítero Nivaldo Correia, 37 anos, da Igreja Cristã Verbo, no Morumbi, São Paulo, a árvore de Natal nada tem de adorno, e ainda esconde um aspecto altamente negativo. Ele diz que, em pesquisa à Enciclopédia Barsa, descobriu o significado desse símbolo: árvore germânica que foi adotada para substituir os sacrifícios do Carvalho Sagrado de Odim – um demônio da tempestade. Nivaldo Correia explica que, no ano 800 a.C., as árvores eram consideradas um deus (Thor), e algumas pessoas da Escandinávia sacrificavam crianças embaixo de árvores.
Além disso, ele afirma que os germânicos passaram a cortar galhos dessas árvores, usando-os como amuletos. “Por que um cristão levaria para casa algo que tem um histórico desses?”, questiona o presbítero Nivaldo, que lembra que a primeira árvore de Natal surgiu quando São Bonifácio, durante viagem ao norte da Alemanha, notou uma criança sendo sacrificada ao deus Thor (uma árvore). Conta a lenda que ele, indignado com aquela violência, decidiu cortar a árvore. Tempos depois, teria nascido ali um pinheiro, ao qual ele deu o nome de árvore da vida. A tradição se espalhou por diversas regiões e, pouco a pouco, por intermédio dos alemães, chegou a toda a Europa e, muitos anos depois, à América Latina. Segundo Nivaldo, São Bonifácio era cristão e tinha o objetivo de pregar o Evangelho, mas fundamentado em uma religião pagã. “Essa tradição não tem fundamento cristão. Trata-se de um costume empregado pelas religiões pagãs da Europa medieval e da Roma primitiva”.
Desaconselhável
Na opinião do seminarista Rodrigo Matias Rangel, 23 anos, membro da Igreja Batista Castelo Forte, em Curitiba (PR), o uso de árvores de Natal, tanto nas igrejas quanto nas casas, não é aconselhável. Ele declara que, por meio de estudos históricos, os líderes e membros da denominação descobriram que o uso desse símbolo é uma tradição histórica, e que algumas pessoas adotaram esse tipo de prática. “Nossa igreja não coloca árvore de Natal dentro do templo, por entender que isso é um costume que não está na Palavra de Deus, não está na Bíblia, e, historicamente, está ligada a costumes pagãos”, explica Rodrigo.
Segundo o seminarista, na Alemanha colocavam-se velas em galhos de árvores para espantar os maus espíritos. “Já os egípcios usavam galhos de uma árvore, nos quais escreviam os meses do ano, agradeciam aos deuses pela colheita e faziam uma festa para agradecer-lhes pela fertilidade de sua terra”, afirma Rodrigo, que garante que, atualmente, ainda há toda uma alegoria em torno da árvore de Natal, na qual as frutas simbolizam a fertilidade e os anjos da “guarda”. “A Igreja Católica Romana tem uma forte tradição no que diz respeito ao uso das árvores de Natal. Os católicos só as desmontam no chamado Dia de Reis (6 de janeiro), para terem ‘sorte’ no restante do ano. Penso que a Igreja do Senhor Jesus não precisa usar simbologia alguma para que Jesus conduza nossa vida”.
Certo e errado
Para Flávio Lúcio Alves, também seminarista e membro da igreja de Rodrigo, a questão é ainda mais séria do que se poderia imaginar. “O que pode impedir alguém de tirar a árvore de Natal, que é um simbolismo inofensivo na opinião da maioria das pessoas, e, no lugar, colocar uma cruz, ou uma imagem, como fazem os católicos que sempre justificam a adoração a ídolos como um simples símbolo dos chamados santos da igreja?”, questiona o seminarista. Ele argumenta que os costumes mundanos estão entrando muito facilmente na Igreja, a qual está perdendo o discernimento entre o certo e o errado. “O problema não é a árvore. É a essência, são as artimanhas do inimigo. É o que está por detrás dos singelos símbolos. É preciso ter prudência e sabedoria”.
O Pr. Alexandre Metello, 27 anos, da Igreja Batista Renovada Monte Santo, em Ramos, bairro da zona norte do Rio, faz uma leitura diferente para explicar a presença da árvore de Natal em nossos dias. “Historicamente, a árvore surgiu com a morte de Ninrode, fundador e imperador babilônico, contemporâneo de Abraão”. De acordo com o pastor, Ninrode casou-se com a mãe Semíramis e desta relação incestuosa originou-se um diabólico símbolo da árvore de Natal. “Depois da morte prematura de Ninrode, divulgou-se, de acordo com sua mãe, que ele continuava presente espiritualmente por meio de um pinheiro, que nasceu da noite para o dia. Tal fato era um sinal de que Ninrode tinha ressurgido milagrosamente no cenário babilônico como um espírito divino”, explica.
De acordo com o Pr. Alexandre, o Império Babilônico emprestou ao Império Romano essa tradição, que foi incorporada no dia 25 de dezembro como uma festividade. “Isso aconteceu no governo do imperador Justiniano (354 a.C.), que fez do Natal uma adaptação da festa pagã Saturnália. A árvore é uma ofuscação da glória de Cristo”.
Outro que critica o simbolismo presente na árvore de Natal é o Pr. Abraão de Almeida, que é escritor e pesquisador da História da Igreja. “O cristianismo originário de Roma avançou tanto na sua tentativa de cristianizar o Natal babilônico que acabou consagrando até mesmo o pinheiro como símbolo natalino, não desconhecendo, por certo, que era esta a árvore preferida de Tamuz, e que, na antiga Roma, os cidadãos penduravam máscaras de Baco, o deus do vinho, em pinheiros, para comemorar a festa pagã Saturnália, cuja data coincidia com a do nascimento do Sol”. Segundo Abraão, a tradição dos romanos e babilônios está presente na antiga civilização egípcia, “que considerava a tamareira como árvore da vida e a levava para casa nos dias de festa, enfeitando-a com doces e frutas para as crianças”, lembra.
Clareza bíblica
O pastor da Igreja Internacional da Graça de Deus, em Osasco (SP), Rivelino Roberto de Siqueira, 31 anos, diz que não há referências bíblicas contra ou a favor do uso das árvores de Natal, assim como não é revelada uma data do nascimento de Cristo. No entanto, ele orienta que os cristãos devem analisar os fatos para saber se condizem ou não com orientações da Palavra de Deus e, assim, chegar a uma conclusão. “A Bíblia é muito clara quando fala de adoração exclusiva a Deus, e o Natal, atualmente, é muito voltado para a idolatria e o comércio. Isso faz com que se perca o verdadeiro sentido dessa festa, que deveria ser a comemoração do nascimento de Cristo e a reflexão sobre o que Ele fez por nós no Calvário”, avalia.
Segundo o Pr. Rivelino, a tradição das árvores de Natal traz em si raízes espiritualistas e idólatras. “Antigamente, os pagãos faziam oferendas em baixo de ciprestes [árvores da época, das quais se origina o costume de árvores natalinas]. Além disso, elas estão intimamente ligadas à adoração à figura de Papai Noel. As crianças só falam em árvores de Natal e dos presentes que o Papai Noel deixou para elas. Isso rouba a glória de Deus”.
O pastor do Ministério Internacional da Restauração, em Manaus (AM), Renê de Araújo Terra Nova, 39 anos, lamenta que muitos ensinos errados tenham sido absorvidos pela Igreja de Jesus, formando o que chama de “uma geração marcada pela fortaleza do engano”. “Esta era a nossa História: vivíamos debaixo de um engano, de um discreto paganismo, de uma idolatria incógnita, mas o Evangelho nos alcançou. Agora, a vida de Jesus está dentro de nós”, lembra Terra Nova, autor de Babilônia e Roma – a diferença é o nome. No livro, o pastor adverte que os altares pagãos são atraentes, estruturados, arquitetados, impressionam e são chamativos, além de serem voltados para o exterior, para a indumentária, a fim de chamar a atenção para o consumismo. “Temos como exemplo a festa do Natal: há pessoas que não vão a uma reunião de Natal porque não tem uma roupa nova. É uma festa hedonista ligada apenas à luxúria, à indumentária e ao impressionismo”.
Em relação à árvore de natal, Renê Terra Nova diz que este é um símbolo de consagração, uma fábula de adoração a deuses babilônicos. “Eles consagravam uma árvore aos pés dos deuses e a levavam para casa como aprovação desses deuses. Era o símbolo do deus dentro de casa, porque não se podia fazer a réplica da imagem. Essa árvore estava relacionada a um pinheiro”, explica o pastor. “O pinheiro faz parte de um ritual de adoração a Ninrode e a Semíramis. Com a árvore de Natal dentro da nossa casa, estamos ressuscitando um trono babilônico, dando legalidade para os demônios agirem”, alerta Terra Nova, que cita o texto de Jeremias 10.3,4, que diz: Porque os costumes dos povos são vaidade; pois cortam do bosque um madeiro, obra das mãos do artífice, com machado. Com prata e com ouro o enfeitam, com pregos e com martelos o firmam, para que não se mova. Ele assinala que, no restante do capítulo, há uma dura exortação de Deus ao Seu povo, por este ter levado para dentro de casa um costume pagão. “Você quer conservar um costume de povo pagão? Eu sei que não. Então, esteja disposto a continuar em aliança com o Senhor. Essa árvore, segundo o texto, vira um ídolo”, conclui Terra Nova, exortando os cristãos a mudarem de atitude, fazendo do Natal uma celebração sem árvore, mas com Jesus.
Matéria publicada na edição nº 28 da Revista Graça/Show da Fé
Repórteres: Gisele Bastos e Paulo Cezar Soares
Colaboraram: Mara Alves e Deise Bayma |